Aadefa muda gestão para tirar instituição do vermelho
Fonte: O Liberal Regional
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A Associação de Atendimento aos Deficientes Físicos de Araçatuba (Aadefa) conta com uma nova diretoria que substitui a gestão anterior de 2012/2014 desde segunda-feira (31).
Na última sexta-feira (28) os 11 componentes da diretoria executiva e fiscal da Associação assinaram uma carta de renúncia. Mesmo sem uma brecha oficial no Estatuto da instituição assistencialista, o presidente Expedito da Silva Massaro, indicou um conselho administrativo interino para gerir a Aadefa até novembro deste ano, quando deve acontecer uma nova eleição.
Massaro, presidente da entidade desde 2009, decidiu renunciar ao cargo alegando problemas envolvendo a saúde de seus familiares e orquestrou a renúncia dos outros membros que estavam desmotivados. A diretoria ficou abalada pela crise financeira que já acumula um débito de aproximadamente R$ 210 mil entre contas básicas e a falta de depósito de dívidas trabalhistas. Na última semana a Aadefa foi multada em R$ 14 mil pelo Ministério do Trabalho pela falta de depósitos de encargos trabalhistas.
“Para o bem da instituição decidi renunciar ao cargo. Sou quem auxilia minha mãe e meu irmão e estava sempre precisando sair”, disse Massaro. Quem assumiu a direção interina da instituição foram 10 membros do “Grupo Recomeço”, formado por funcionários aposentados da Faculdade de Odontologia de Araçatuba (FOA-Unesp).
NOVA GESTÃO
A coordenadora do grupo e agora responsável direta pela Aadefa é a aposentada Rosana Aparecida Pistore de 54 anos que trabalhará na instituição diretamente com a também aposentada Bernadete Rodrigues Inácio de 61 anos e o jornalista Leonardo Pereira de 28 anos. Esse grupo foi formado em outubro do ano passado com o objetivo de promover ações voluntárias ampliando o lazer e reencontro dos funcionários aposentados da FOA. “Por meio de reportagens ficamos sabendo da real situação da instituição e de acordo com nossa missão de ações voluntariadas fomos conversar com o Expedito e decidimos abraçar a causa”, afirmou Bernadete.
A missão da nova direção da Associação é organizar a instituição e tirá-la do “vermelho” com a promoção de atividades e melhorando a transparência dos gastos e recursos. O maior problema da instituição é a falta da Certidão Negativa de Débitos (CND) por conta das dívidas. “Sem a CND a entidade não pode receber repasses de órgãos governamentais”, explicou Rosana Pistore. Com a CND a entidade pode oferecer seus serviços ao município e ser remunerada e também se cadastrar a programas estaduais e federais para receber recursos.
Atualmente a fonte de recursos da entidade é baseada nas doações regulares, irregulares, contribuições via telemarketing e promoções.
Segundo o ex-presidente, mensalmente a arrecadação média da instituição gira em torno de R$ 12 mil, mesmo valor da folha de pagamentos que mantém 10 funcionários. As contas de telefone, internet e do sistema de telemarketing são pagas com atrasos. Sempre eles pagam uma conta e renegociam a outra. Há três meses os funcionários estão com salários atrasados e recebem por etapas ao mês.
Há 34 anos a Aadefa oferece atendimentos no município. Atualmente a entidade só conta com serviços de fisioterapia e um grupo de bordado para desenvolvimentos de habilidades manuais. São atendidas regularmente 50 pessoas por mês.
Crise faz pacientes comprarem refeições para passar o dia na Aadefa
Há 15 dias não são mais servidas refeições para pacientes que freqüentam a Aadefa. Quem passa o dia na instituição como é o caso de Jorcelino Rodrigues de Souza de 63 anos ás terças e quintas-feiras ou encomenda marmitex por telefone ou então leva marmita de casa. Ele diz que entende a atual situação da instituição e não se importa em desembolsar dinheiro para comprar sua refeição. “O que eu não conseguiria pagar é o tratamento fisioterápico que recebo aqui. Isso me mantém vivo”, disse Jorcelino que ficou paraplégico aos 23 anos por conta de uma meningite meningocócica.
Para ele suas idas até a instituição também significam momentos de convivência e vão além do tratamento para manter o corpo em movimento. “Aqui me encontro com os amigos e passamos o dia conversando, chamo isso de lazer utilitário”, relatou Jorcelino. O paciente é taxativo ao dizer que a instituição representa muito mais do que simples sessões de fisioterapia e por lá o sentimento é de igualdade. “Infelizmente o deficiente físico é confundido com deficiente mental. As pessoas têm medo de se aproximar da gente, e já olham para nós pensando que só necessitamos de ajuda monetária. Necessitamos de muito mais que isso”, relatou Jorcelino em linguagem culta enquanto almoçava um marmitex dividido com um amigo.
O amigo que também freqüenta a Aadefa nos mesmos dias que Jorcelino é Donald de Lopes de 62 anos. Os dois utilizam o transporte coletivo da cidade e mesmo que os dois possuam cadeiras de rodas motorizadas disseram que é impossível utilizá-las nas ruas de Araçatuba pela quantidade de buracos no asfalto.
Donald diz que se não fosse pelas sessões de fisioterapia que faz gratuitamente na Aadefa já teria perdido grande parte de seus movimentos. Ele teve um derrame cerebral quando tinha 38 anos e acabou paraplégico. “Quando cheguei aqui não conseguia mexer minhas mãos, hoje elas são muito ágeis. Não teria condições de bancar um tratamento desse”, disse Donald mostrando como ele segurava firmemente o garfo enquanto almoçava a refeição compartilhada com o amigo.
SERVIÇO
Para ajudar a instituição o telefone é o (18) 3117 7430. Para conhecer a Aadefa o endereço é Rua Amazonas, 745, Jardim Paulista em Araçatuba.